Estamos diante de uma atitude próxima do realismo, mas que também se aproxima de uma idéia idealista; esse é o ponto de partida , o percurso está direcionado a um surgimento de estudo apontado a uma idéia de dificil classificação. Durante o século XIX ocorreram na Europa importantes mudanças sociais e econômicas. Os ares eram de crise. Por outro lado, o desenvolvimento tecnológico estava em pleno processo de metamorfóse evolutiva, tecnologia e moda surgiam como a salvaçãode uma sociedade desgastada por idéias já adormecidas, os artistas acolheram as novas idéias mergulhando em um mar de novos critérios de gosto estético. Essa nova metamorfóse cultural baseava sua intensidade no sentimento de impressão imediata
Quanto à linguagem, assinalam os estudiosos os seguintes traços, que, no seu conjunto, caracterizam o impressionismo:
- Abandono da estrutura regular da frase, da ordem lógica;
- Preferência pela ordem inversa, idéia solta que não se liga a outra de modo sintático;
- Supressão de conjunção, liberando a frase;
- Emprego freqüente do modo imperfeito nas formas verbais;
- Uso acentuado de metáforas e comparações;
- Linguagem expressiva, colorida e sonora;
- Liberdade de expressão, riqueza de imagens.
As obras do impressionismo mostram uma idéia voltada para valorização da vida intelectual, que em determinado momento remodela a vida cotidiana. O impressionista liquefaz a realidade certa e lhe confronta um caráter de algo não terminado, transformando a imagem natural em um nascer de presente continuo. Surge ai um espectador que não quer apenas apreciar o andamento do mundo e de suas imagens, prefere descobrir a realidade a sua maneira.
Como “fundadores e representantes típicos do novo estilo” costumam ser apontados os irmãos Edmond (1822-1896), entre os escritores representativos do movimento destacam-se: Henry James (1843-1916), Pierre Loti (1850-1923), Joseph Conrad (1857-1924), Anton Tchecov (1860-1904), Stephen Crane (1871-1900), Marcel Proust (1871-1922), Katherine Mansfield (1888-1923), Thomas Wolfe (1900-1938) e Fialho de Almeida (1875-1911)
No Brasil, o professor e crítico Afrânio Coutinho, o primeiro a propor o emprego do termo na divisão de nossa história literária, aponta como expressão mais alta a de Raul Pompéia e assim se expressa:
“No Brasil, a primeira grande repercussão do Impressionismo é em Raul Pompéia. Logo após formar o espírito na doutrina do Naturalismo, recebeu a influência da estética simbolista e só encontrou plena e satisfatória expressão dentro dos cânones do Impressionismo. A evolução de Machado de Assis revela uma independência em relação aos postulados do Naturalismo positivista que o conduz ao mesmo clima impressionista, característico de sua fase final. Graça Aranha denota, em Canaã, a mesma impregnação impressionista, e, como ele, outros escritores da época não puderam escapar do dualismo – de um lado os traços do Realismo (ou mesmo Naturalismo), do outro a influência simbolista. Coelho Neto, Afrânio Peixoto e muitos outros escaparam, por certos aspectos, das classificações comuns, traem a forma impressionista”.
O Impressionismo nas obras de literatura Brasileira situa-se com mais precisão e coerência em livros como O Ateneu, de Raul Pompéia; Esaú e Jacó, de Machado de
Assis; entre outras obras dos autores citados por Afrânio Coutinho.
Jerônimo de Lima